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Caruru

Amaranthaceae

Caruru

Amaranthus spp.

Características botânicas

O gênero Amaranthus abrange diversas espécies anuais, herbáceas, eretas ou prostradas, com caule geralmente pubescente e ramificado. As folhas são alternas, simples, pecioladas, com lâmina oval a lanceolada, frequentemente com margens onduladas ou inteiras. A coloração das folhas pode variar de verde a arroxeado. A inflorescência é terminal ou axilar, em forma de espigas ou panículas, densas ou ralas, contendo numerosas flores pequenas, inconspícuas, com brácteas que podem ser espinhosas ou não. As flores são unissexuadas, mas monoicas, podendo apresentar tecidos sexuais masculinos e femininos na mesma planta. O fruto é um utrículo, com uma única semente pequena, lenticular, preta ou marrom-escura, brilhante. A elevada produção de sementes e o longo período de dormência contribuem para sua alta capacidade de infestação.

Origem e distribuição

Cosmopolita, com centros de diversidade no continente americano e na África. Embora muitas espécies sejam nativas, outras foram introduzidas e se dispersaram amplamente.

Resistências conhecidas

Resistência a herbicidas dos grupos inibidores da ALS (Sulfonilureias, Imidazolinonas), inibidores da EPSPs (Glifosato), inibidores da FSII (Triazinas, Ureias substituídas), inibidores da PROTOX (Difenil éteres), inibidores da síntese de pigmentos (Carotenoides). Os mecanismos de resistência incluem alteração do sítio de ação do herbicida, metabolismo acelerado e compartimentalização.

Controle

Controle químico: Aplicação de herbicidas pré e pós-emergentes, com rotação de mecanismos de ação para evitar a seleção de biótipos resistentes. Monitoramento constante e uso de misturas em tanque de herbicidas com diferentes modos de ação são cruciais. Controle cultural: Rotação de culturas, uso de culturas de cobertura, adubação equilibrada, espaçamento adequado e manejo da palhada. Essas práticas visam reduzir a entrada de luz e suprimir o crescimento inicial do caruru. Controle mecânico: Capina manual ou mecanizada em estágios iniciais de desenvolvimento da cultura, antes da produção de sementes pela planta daninha. O revolvimento do solo também pode ser utilizado antes do plantio para reduzir o banco de sementes na superfície.

Dano econômico

O caruru é uma das plantas daninhas de maior importância econômica global, causando perdas significativas de produtividade em diversas culturas, como soja, milho, algodão, feijão e hortaliças. A competição por água, luz e nutrientes pode reduzir a produtividade em até 80%, dependendo da densidade da infestação e do período de convivência. Além da competição direta, o caruru pode atuar como hospedeiro alternativo para pragas e doenças, aumentar os custos de colheita e depreender a qualidade do produto colhido. Há relatos de perdas de até 60% na cultura da soja e 40% no milho em áreas com alta infestação de Amaranthus palmeri.

Artigos e estudos

  • Resistência de Amaranthus palmeri a múltiplos herbicidas
    Weed Science Society of America (WSSA) Journal

    Estudo detalha biótipos de Amaranthus palmeri com resistência a glifosato, inibidores da ALS e inibidores da PROTOX, discutindo os mecanismos moleculares envolvidos e o impacto na produção agrícola.

  • Manejo integrado de plantas daninhas no Brasil: foco em Amaranthus spp.
    Embrapa - Circular Técnica

    Publicação da Embrapa que aborda estratégias de manejo integrado, incluindo métodos químicos, culturais e mecânicos, para o controle eficaz de espécies de caruru em lavouras brasileiras.

  • Competição de Amaranthus hybridus com a cultura da soja
    Planta Daninha (Revista da Sociedade Brasileira da Ciência das Plantas Daninhas - SBCPD)

    Pesquisa que quantifica as perdas de produtividade na soja devido à interferência de Amaranthus hybridus, destacando a densidade de plantas daninhas e o período crítico de competição.

  • Mecanismos de resistência de Amaranthus viridis a diuron e atrazina
    Scientia Agricola - Universidade de São Paulo (USP)

    Artigo científico que investiga os mecanismos de resistência de biótipos de Amaranthus viridis a herbicidas inibidores do fotossistema II, como diuron e atrazina, através de estudos in vivo e in vitro.