Características botânicas
Planta herbácea, anual, de ciclo C4, com colmos decumbentes a eretos, podendo atingir até 90 cm de altura. Apresenta raízes fibrosas e roxas na base. As folhas são lineares a lanceoladas, com margens escabrosas e bainhas comprimidas. A lígula é membranácea e truncada, e não possui aurículas. A inflorescência é uma panícula digitada, composta por 2 a 10 espigas terminais, dispostas como dedos, característica que origina o nome comum. As espiguetas são achatadas lateralmente, com 3 a 7 flores, e os grãos são ovais, rugosos, de coloração marrom-escura a preta. A planta possui alta capacidade de profileração por sementes.
Origem e distribuição
Originária da África e sul da Ásia, mas atualmente cosmopolita, presente em praticamente todas as regiões tropicais e subtropicais do mundo.
Resistências conhecidas
Várias populações de Eleusine indica no Brasil e no mundo apresentam resistência a herbicidas, principalmente aos inibidores da ALS (sulfonilureias e imidazolinonas), inibidores da ACCase (graminicidas como diclofop, fenoxaprop-p-etílico, fluazifop-p-butílico, haloxyfop-p-metílico, quizalofop-p-etílico) e, em menor grau, ao glifosato. Os mecanismos de resistência incluem alteração do sítio de ação, metabolismo acelerado e exclusão da molécula do herbicida.
Controle
O controle do capim-pé-de-galinha requer uma abordagem integrada. O controle químico pode ser realizado com herbicidas pré-emergentes (e.g., pendimethalin, S-metolachlor) e pós-emergentes, utilizando moléculas de diferentes modos de ação para evitar a seleção de biótipos resistentes. Em pós-emergência, dependendo da cultura e da presença de resistência, podem ser utilizados herbicidas graminicidas específicos ou glifosato em culturas tolerantes. O controle cultural envolve o uso de rotação de culturas, plantas de cobertura, espaçamento adequado e adubação equilibrada para favorecer a cultura principal. O controle mecânico é eficaz em estádios iniciais de desenvolvimento da planta, como capina manual ou cultivo, especialmente em áreas menores, porém inviável em grandes lavouras.
Dano econômico
Eleusine indica é uma das plantas daninhas mais competitivas e prejudiciais à agricultura mundial. Sua alta capacidade de produção de sementes, rápido crescimento e resistência a herbicidas contribuem para perdas significativas na produtividade de diversas culturas, como milho, soja, algodão, cana-de-açúcar, arroz e hortaliças. Estudos na cultura da soja indicam perdas de produtividade que podem variar de 30% a 80%, dependendo da densidade e período de convivência da planta daninha com a cultura. Na cultura do milho, a interferência do capim-pé-de-galinha pode reduzir a produtividade em até 70%.
Artigos e estudos
Resistência de Eleusine indica (L.) Gaertner a herbicidas no Brasil: ocorrência, mecanismos e manejo
Embrapa – Circular Técnica
Descreve a ocorrência de resistência de E. indica a diversos herbicidas no Brasil, detalhando os mecanismos de resistência e as estratégias de manejo integrado para controle.
Competitividade de Eleusine indica (L.) Gaertn. em diferentes culturas agrícolas
Revista Brasileira de Herbicidas
Avalia o impacto da competição de Eleusine indica na produtividade de culturas como soja, milho e algodão, quantificando as perdas de rendimento causadas pela sua presença.
Manejo de plantas daninhas resistentes a herbicidas: desafios e perspectivas
XXII Congresso Brasileiro da Ciência das Plantas Daninhas (SBCPD)
Discute os desafios atuais e as perspectivas futuras no manejo de plantas daninhas resistentes, com enfoque em E. indica, abordando estratégias integradas e novas tecnologias para controle.
Detecção e caracterização de resistência múltipla de Eleusine indica a herbicidas inibidores da ALS e ACCase
Planta Daninha
Apresenta resultados de pesquisas sobre a detecção de biótipos de Eleusine indica com resistência múltipla a herbicidas de dois diferentes modos de ação, com análise dos mecanismos genéticos envolvidos.