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Picão-Preto

Asteraceae

Picão-Preto

Bidens pilosa L.

Características botânicas

O Picão-Preto (Bidens pilosa L.) é uma espécie herbácea anual, com ciclo de vida geralmente curto, podendo atingir de 0,3 a 1,5 metros de altura. Apresenta caule ereto, ramificado, glabro a pubescente. As folhas são opostas, pecioladas, frequentemente compostas trifolioladas ou pinatissectas, com folíolos ovados a lanceolados, margens serreadas. As inflorescências são capítulos terminais ou axilares, com flores tubulosas amarelas no centro e, ocasionalmente, lígulas brancas ou ausentes na periferia. O fruto é um aquênio linear-oblongo, tetragônico, de coloração preta, provido de duas a quatro aristas barbadas ou retrorsamente farpadas, que facilitam sua dispersão zoocórica e anemocórica, sendo estas as estruturas popularmente conhecidas como 'picões'. A raiz é pivotante e fibrosa.

Origem e distribuição

Cosmopolita, com centro de origem provável nas Américas, tendo se dispersado amplamente por regiões tropicais e subtropicais do mundo.

Resistências conhecidas

Resistência a herbicidas do grupo de inibidores da ALS (ex: chlorimuron-ethyl, imazethapyr) foi relatada em diversas populações no Brasil e em outros países. Os mecanismos de resistência incluem alterações no local de ação da enzima ALS (target-site resistance) e, em menor grau, mecanismos não-target-site, que podem envolver maior metabolização do herbicida.

Controle

Controle químico: Herbicidas pré-emergentes como S-metolachlor e isoxaflutole e pós-emergentes como glyphosate (em culturas tolerantes), glufosinato de amônio, e 2,4-D (em situações específicas e doses adequadas), podem ser utilizados. Deve-se atentar ao manejo de resistência, alternando mecanismos de ação. Controle cultural: Rotação de culturas, adubação verde, utilização de cultivares competitivas e espaçamento adequado para a cultura principal, visando sombreamento rápido e supressão da daninha. Controle mecânico: Capina manual ou mecanizada em estádios iniciais de desenvolvimento da planta. Ações de prevenção, como uso de sementes certificadas e limpeza de máquinas agrícolas, são cruciais para evitar a disseminação.

Dano econômico

O Picão-Preto é considerado uma das daninhas de maior importância em diversas culturas no Brasil, como soja, milho, feijão e algodão. Sua competição por água, luz e nutrientes pode reduzir a produtividade das culturas em até 80% em infestações severas. Estudos demonstram perdas significativas na produtividade da soja, por exemplo, variando de 10% a 50% dependendo do nível de infestação e período de competição. A presença de suas sementes (aquênios) na colheita pode ainda depreciar a qualidade do produto final, aumentar os custos de beneficiamento e dificultar a semeadura em safras futuras devido ao banco de sementes no solo.

Artigos e estudos

  • Resistência de Bidens pilosa ao herbicida chlorimuron-ethyl no estado do Paraná
    Embrapa Soja

    Este estudo identificou populações de Bidens pilosa com resistência ao herbicida chlorimuron-ethyl no Paraná, indicando a necessidade de manejo adequado para evitar a disseminação.

  • Interferência de Bidens pilosa na cultura da soja
    Planta Daninha (Revista da Sociedade Brasileira da Ciência das Plantas Daninhas)

    Pesquisa que quantifica os níveis de perdas de produtividade na cultura da soja em função da densidade e do período de competição com a planta daninha Bidens pilosa.

  • Biologia e manejo de picão-preto (Bidens pilosa L.) em sistemas de produção
    Boletim Técnico da Universidade Federal de Viçosa (UFV)

    Aborda aspectos da biologia da espécie, como germinação e dispersão, e recomenda estratégias de manejo integrado para o controle eficiente do picão-preto em diferentes cenários agrícolas.

  • Mecanismos de resistência de Bidens pilosa a inibidores da ALS
    Pesquisa Agropecuária Brasileira (PAB)

    Artigo que investiga os mecanismos moleculares envolvidos na resistência de populações de Bidens pilosa a herbicidas inibidores da enzima acetolactato sintase (ALS).