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Serralha

Asteraceae

Serralha

Sonchus oleraceus L.

Características botânicas

Planta herbácea, anual, ereta, que pode atingir de 30 a 100 cm de altura. Apresenta caule oco e ramoso, com látex branco. As folhas são alternas, lobadas ou profundamente pinatífidas, com margens dentadas e, por vezes, espinhosas, especialmente as basais. As flores são amarelas, dispostas em capítulos terminais, que se agrupam em corimbos. O fruto é tipo aquênio, de cor marrom-claro, com papus branco, facilitando a dispersão pelo vento. A estrutura do sistema radicular é pivotante, com raízes laterais fibrosas.

Origem e distribuição

Europa e Ásia. Considerada uma espécie cosmopolita, amplamente distribuída em regiões temperadas e subtropicais ao redor do mundo.

Resistências conhecidas

Resistência a herbicidas da classe dos inibidores da ALS (sulfonilureias, imidazolinonas) tem sido relatada em populações de Sonchus oleraceus. Mecanismos de resistência incluem alteração do sítio de ação da enzima acetolactato sintase e, potencialmente, mecanismos não-sítio de ação que envolvem metabolismo acelerado do herbicida. A espécie também pode apresentar biótipos com tolerância a glifosato, embora casos de resistência confirmada sejam mais raros para este herbicida em Sonchus oleraceus especificamente.

Controle

Controle químico: Herbicidas seletivos registrados para as culturas envolvidas são utilizados. Para culturas de folha larga, herbicidas à base de 2,4-D, dicamba, ou misturas com inibidores da ALS (com monitoramento de resistência) podem ser eficazes. Em pré-emergência, flumioxazin ou metribuzin podem ser empregados dependendo da cultura. Para culturas de cereais, herbicidas de pós-emergência como iodosulfuron ou pyrasulfotole são opções. Controle cultural: Rotação de culturas com espécies que permitam o uso de diferentes modos de ação de herbicidas, manejo do plantio direto para reduzir o banco de sementes, e a utilização de culturas de cobertura para suprimir seu desenvolvimento. Controle mecânico: Capina manual ou mecânica em estágios iniciais de desenvolvimento da planta são eficazes, especialmente em pequenas áreas ou culturas de alto valor. O revolvimento do solo pode ser utilizado para expor sementes e plântulas a condições adversas, mas em sistemas de plantio direto deve ser evitado.

Dano econômico

A serralha (Sonchus oleraceus) compete por água, luz e nutrientes com diversas culturas agrícolas, incluindo hortaliças, grãos e pomares. Em lavouras de soja, perdas de produtividade de até 20% foram observadas em infestações severas. Em culturas hortícolas, a competição pode ser ainda mais acentuada devido ao curto ciclo de cultivo e alta demanda nutricional. Além da competição, a serralha pode hospedar pragas (ex: afídeos) e doenças (ex: vírus) que afetam as culturas comerciais, aumentando os custos de produção e reduzindo a qualidade do produto final. Estudos indicam que a presença de Sonchus oleraceus pode levar a reduções significativas na colheita e aumentar os gastos com controle de daninhas.

Artigos e estudos

  • Plantas daninhas: Identificação e controle nas culturas brasileiras
    Embrapa Soja (2016)

    Este fascículo técnico oferece descrições detalhadas da serralha e de outras plantas daninhas, além de estratégias de manejo integrado para soja, destacando a competição e perdas de produtividade.

  • Resistência de plantas daninhas a herbicidas no Brasil: Status e manejo
    Revista Brasileira de Herbicidas (2019)

    O artigo discute o cenário atual da resistência de plantas daninhas no Brasil, incluindo casos de Sonchus oleraceus a inibidores da ALS, e propõe estratégias de manejo de resistência.

  • Competitividade de Sonchus oleraceus (L.) em diferentes culturas e perdas de produtividade
    Anais do Congresso Brasileiro da Ciência das Plantas Daninhas (2015)

    Estudo que quantifica o impacto da competição da serralha em culturas como milho e feijão, detalhando as perdas econômicas e a necessidade de controle eficiente.